Traje de Romaria
Utilizado pelas mulheres de antanho da considerada Região do Vouga, quando se situavam a nível das consideradas romarias tradicionais e de uma maneira geral seculares.

É composto por lenço de lã estampado, blusa branca de linho ou paninho, colete de seda ou de lã rapada abtuado com atamares de prata cinzelados, saia de chita, facha de algodão tecido, meia branca trabalhada à mão e chinela de seleiro preto, tendo ainda como complemento o chapéu vareiro e a capoteira.

 

Traje de Romaria homem
Utilizado pelos homens de antanho na considerada Região do Vouga aos domingos em festa e romarias.

Calça de fazenda preta, camisa de linho, colete de fantasia, cinta preta ou vermelha, consoante o seu utilizador fosse casado ou solteiro, jaqueta de fazenda preta, bota de couro preto ou castanho.

 

Traje de Ver-a-Deus ou de Dó
Usado pelas mulheres de antanho nas cerimonias da semana Santa.

Saia de lã de merino preta, debruada e enfeitada com fita de veludo, casaquinha de fazenda preta com enfeites de veludo e vidrilhos, saiote branco com bordado, chambre branco com rendas, lenço de seda natural cor de pérola, capa de fazenda de lã debruada a veludo, meias de algodão branco rendadas, chinelas de verniz preto.

 

Traje de Bairradina
Utilizado pelas mulheres de antanho na Bairrada, sobretudo aos domingos e dias de festa.

Saia preta de algodão blusa de cor com enfeites, avental de cor com rendas , saiote branco com bordados, saiote de cor, lenço de lã, chapéu redondo debruado a veludo, com enfeites de veludo e penas, lencinho branco e flores de papel ( oferta dos namorados para usar no chapéu ), meia rendada de algodão branco, chinela de verniz preta.


Traje de barqueiro do Vouga

Utilizado pelos considerados barqueiros do Vouga, quando o seu barco à vela, proveniente das terras vareiras, subiam o Vouga, com a carga composta por sal ou pescado ( sardinha ou carapau ), estando na base do negócio a "troca directa" de uma maneira geral baseada na entrega dos cereais, ovos ou outros produtos da sua lavra, esta afecta às gentes da considerada Região do Vouga, zonas ribeirinhas, campos do interior e encosta serrana a poente de Talhadas.

É composto por barrete preto, camisa e ceroulas de flanela quadriculada, faixa preta ( toda enrolada à cinta ) e tamancos de seleiro preto.

Danças e Cantares

 

Se ouvires assobiar – assobiar quem nos fala era o povo, não penses que é caçador anda agora aí uma moda de assobiar ao amor. Efectivamente em tempos,  assim foi, o assobio era o sinal convencional utilizado pelos namorados para chamar as suas amadas, era o próprio assobio bocal, um assobio e lá vinha a rapariga para a janela.  

pó tirolirolo – dança bem conhecida da nossa região , os barqueiros que levavam o sal e peixe quando subiam o rio e traziam o carvão e molhos de lenha quando desciam para a foz.

 

Se ouvires assobiar
não penses que é caçador
Que anda agora uma moda de assobiar ao amor

Ora deixa-te estar
Assenta-te aqui
Ora deixa-te estar
Amor ao pé de mim

O meu amor vai e vem
A vinda vem por aqui
Eu abaixarei meus olhos
e farei que te não vi. 

Ando triste como a noite
Nem o dinheiro me alegra Alegrava-me se visse
o meu amor nesta terra

No altar de São José
a um ramo de açucenas
Onde vão os namorados
Aliviar suas penas 

Sou pequenina mas tenho
Um lencinha càr de rosa 
Para dar ao meu amor 
quaxido vier da Murtosa

Pó Pó tirolíroliro
Pó Pó tiroliroló
Pó Pó tiroliroliro
Liroliroliro
Liroliroló

Não quero um amor ferreiro 
que é custoso de lavar
Antes quero um barqueirinho
que vem lavado do mar

Lá vem um barco a vela
La. vem a sardinha fresca
La vem o meu amorzinho
Assentadinho na cesta

 

 

 

Vira de macieira – Dança em ritmo de valsa executada pelos povos do interior. É a única dança  em que os pares batem ao centro de costas voltadas. Recolhido em Macieira de Alcoba.

Malhão – dança cuja coreografia é mandada por um dos elementos, relacionamos esta dança com a passagem dos soldados de Napoleão quando das invasões Francesas por esta região. Pode considerar-se um decalque da Quadrilha Rançaise, è como que, o ex-libris do Grupo Folclórico da Região do Vouga. 
     

 

Ai meu amor procura agrado
Ai não procures formosura
Ai formosura sem agrado
Ai é viver na noite escura

Ai chamaste ao Meu pai sogro
Ai a minha irmã cunhada
Ai nem o meu pai é teu sogro
Ai nem a minha irmã te é nada

Ai hei-de cantar hei-de rir
Enquanto solteirinha for
Que depois de estar cativada
Ai quem governa o meu amor

Ai chamastes ao meu cabelo
Aí dobadoira de dobar
Ai eu também chamei ao teu
Ai sarilho de sensarilhar

 

 

Ó malhão triste malhão,
Ó malhão triste malhão,
Ó lindinho, triste vida te hei-de dar
Não hei-de casar contigo,
Não hei-de casar contigo
Ó lindinho, nem te hei-de deixar casar.

Ó malhão triste malhão,
Ó malhão triste malhão,
Ó lindinha, ó malhão triste coitado
Por causa de ti malhão
Por causa de ti malhão
Ó lindinha, ando triste apaixonado
Ó minha menina eu hei-de te amar,
Hades ter amores e sabe-los adorar.

Meu balão que vais aceso
Meu balão que vais aceso
Ó lindinho, deita-lo de várias cores
Bem cá baixo porque eu rezo
Bem cá baixo porque eu rezo
Ó lindinho, por alma dos meus amores.

Moreninhas do convento,
Moreninhas do convento
Ó lindinha, tu não queiras processar
A alma quer casamento
A alma quer casamento
Ó lindinha, como as rolas querem par
Ora bate palmas  e chumbo na areia
Eu quero ser firme a quem me falseia

Uma duas tres e vira,
Uma duas tres e vira
Ó lindinho, viva quem dança o malhão
Viva quem hade subir,
Viva quem hade subir
Ó lindinho, de alferes a capitão.

As estrelas do céu correm,
As estrelas do céu correm
Ó lindinha, todas numa carreirinha.
Também os amores correm,
Também os amores correm
Ó lindinha, da  tua mão para a minha
Ó minha menina e eu quero te amar
Quando o trobisquinho deixar de amargar

 

Ó ti ó tirititi -  dança palaciana, como outras com enorme particularidade, é uma dança das mais antigas do Folclore Português, remonta ao tempo de Dª Maria Pia, é perfeito decalque da Polca, dança palaciana que entre nós muito foi dançada e que o povo ajustou à sua própria maneira de ser.

O pedreiro – uma dança que muito nos orgulha, dança de roda muito característica da terra mãe do Grupo Folclórico da Região do Vouga, Mourisca do Vouga, era dançada pelo povo de Mourisca nos fins do Trabalhos campestres e também, como diversão, aos domingos.

 

Eu hei-de amar um valverde
Enquanto tiver verdura
hei-de amar teu coração
enquanto a vida dura

Ó ti ó tirititi
Você não me ama não venha aqui
Ó tá ó taratátá
Você.não me ama não venha cá

Eu hei-de amar una pedra
Em vez de teu coração
Uma pedra não se queixa
Tu queixas-te sem razão

 

 

O pedreiro cheira a pedra
Carpinteiro a madeira a madeira
O pedreiro cheira a pedra
Carpinteiro a madeira a madeira
Cada qual no seu oficio
Eu também sou lavadeira
Cada qual no seu oficio
Eu também sou lavadeira

Eu também sou lavadeira
Lavo no Rio Jordão
Eu também sou lavadeira
Lavo no Rio Jordão

Lavo saias e entremeios
Também lavo o meu  calção
Ó que bela lavadeira
Lava a roupa sem sabão

 

Verde Gaio – recolhido na nossa capital de distrito, cidade de Aveiro, é como que o nosso ponto de honra, por quanto sabemos o progresso é inimigo da tradição, não porque seja mau, mas realmente onde o progresso existir mais rapidamente se perdem as tradições, é como para nós um símbolo, executada portanto em Aveiro nas festas religiosas em honra de S. Gonçalinho e do senhor Bom Jesus, sendo uma dança de roda tem movimentos cruzados.

 

O verde gaio está preso
O verde gaio está preso
Meu Deus mandai-O soltar , ai
meu Deus mardai-O soltar

Ele preso não laureia
Ele preso não laureia
Solto pode laurear , ai
solto pode laurear  

O verde gaio é meu
O verde gaio é meu,
Que me custou bom dinheiro, ai
que me custou bom dinheiro  

Cuotou-me quatro vinténs
Custou-me quatro vinténs, ai
Na rua Nova de Aveiro,ai
na rua nova de Aveiro.

Verde gaio, verde gaio,
Verde gaio, verde gaio,
Verde gaio verdeguito, ai
verde gaio verdeguíto

Inda falta ir ao meio,
Inda falta ir ao meio,
O rapas do casaquito, ai  
O rapas do casaquito. 

 

 

 

 

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